Especialização em tradução

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“Everyone in the translation industry seems to agree that translators these days must specialize.”

Atualmente isto parece ser uma verdade absoluta, sendo que os principais motivos para esta necessidade são as crescentes áreas de conhecimento (e o crescente conhecimento dentro de cada àrea), e também a própria internet.

Se pensarmos em todas as áreas que existem, é virtualmente impossível a uma só pessoa ter o conhecimento necessário para traduzir todo e qualquer tipo de documento de forma eficaz e, simultaneamente, em tempo útil.

A Internet ajuda a colmatar esta questão, visto proporcionar o acesso a informação mais especializada, no entanto também tem os seus aspetos negativos, nomeadamente o aumento do número de tradutores a que cada cliente tem acesso de forma fácil e rápida. Para o tradutor, também aumenta o número de clientes e aumenta a velocidade de entrega de trabalhos.

No entanto a questão continua na mesa: o que quer dizer exatamente “especialização” quando falamos de tradução?

Segundo o American Heritage Dictionary, especialização é “to train in or devote oneself to a particular area of study, occupation or activity”, enquanto que no Oxford Dictionary a definição diz que especialização é “to concentrate on and become expert in a particular subject or skill”. No entanto, visto que estamos a falar tradução, especialização deveria ser a focalização em um ou mais campos e não tentar traduzir qualquer documento que lhe apareça à frente.

No entanto, e visto que a tradução é uma àrea muito vasta e desorganizada, definir o que é exatamente especialização torna-se ainda mais difícil. No entanto há outros motivos, como o facto de não haver nem um percurso comum a todos os tradutores assim como também não há um standard que possa ser aplicado a todos. Como foi dito antes, também há diversas áreas a ter em consideração, como já foi mencionado. Ou seja, uma especialização em Tradução é muito diferente de uma especialização em Medicina, Engenharia, Biologia, Física ou Química.

Convém também não retirar o mérito aos tradutores mais generalistas. Um tradutor especialista, devido a focar a sua atenção em algumas áreas em específico, pode não ter as capacidades linguísticas de um tradutor mais “generalista” que tende a focar-se mais nessa mesma área. Nesse sentido, também há que questionar como se delimitam as diferentes áreas de especialização, não existe uma “taxonomia” que ajude na categorização dos conhecimentos.

O tradutor “generalista” acaba por ser vítima de algum preconceito por parte dos tradutores especializados, mas convenhamos que isso não deixa de ser injusto, se pensarmos que noutras áreas os generalistas são pessoas que encaminham o seu trabalho para outros (por exemplo, o médico generalista). Os documentos que não requerem nenhum conhecimento profundo de nenhuma área podem ser considerados “generalistas”, contudo podem não ser os mais fáceis de traduzir.

Não obstante, o termo “especialista” é usado e abusado por todo o lado, quer por tradutores freelancer quer por agências de tradução. Tendo em conta o número de áreas de especialização e o número de idiomas a serem dominados em cada área, é virtualmente impossível que uma pequena empresa ou um individuo possam reclamar o domínio de todas as áreas.

Despite what many people seem to think, translators almost never need to be experts in the fields in which they translate.

A validade da informação é da responsabilidade do autor do texto. O tradutor necessita apenas do conhecimento básico dos conceitos da área, das ferramentas de pesquisa e dos termos usados na língua para a qual ele está a traduzir. Isto acaba por permitir a especialização em diferentes áreas, não podendo ser crescida a importância crescente da tecnologia na tradução.

Outro dos mitos patentes na indústria da tradução é que a maioria dos documentos necessita de especialização numa dada área. Na realidade a grande maioria dos documentos a serem traduzidos não requer especialização, mas sim conhecimento geral da área abordada. O que o tradutor realmente necessita é de conhecimento geral do assunto a traduzir e alto conhecimento das línguas com as quais trabalha, assim como das ferramentas que necessita utilizar.

Being able to translate highly specialized documents is becoming less a question of knowledge and more one of having the right tools.

O que é realmente necessário na indústria da tradução é avaliar a definição de especialista dentro desta indústria, tendo em vista a expansão do conhecimento e das tecnologias da informação, sendo também necessária a definição de uma taxonomia que possa refletir as áreas de especialização.

 

Baseado no artigo Specialization in Translation de Charles Martin

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